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Category:
Fandom:
Relationships:
Characters:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-05-26
Words:
1,765
Chapters:
1/1
Hits:
16

Depois da tempestade

Summary:

Após anos separados pela guerra e pelas cicatrizes que ela deixou, Violet Evergarden finalmente reencontra Gilbert Bougainvillea, o homem que lhe ensinou o significado do amor. Entre lembranças dolorosas, sentimentos guardados e a esperança de um novo começo, os dois descobrem que, mesmo depois das maiores tempestades, ainda é possível encontrar a calmaria nos braços um do outro.

Notes:

Violet Evergarden pertence a Kana Akatsuki, Akiko Takase e empresas licenciadas

Work Text:

Depois da tempestade, vem a calmaria. Essa é uma frase muito usada e carrega em si a esperança de que, após tempos difíceis, dias melhores virão. Para Violet Evergarden, esse ditado passou a ter um significado profundo, aprendido à duras penas nos quatro anos que se seguiram ao fim da guerra.

 

Criada para ser uma arma eficiente, fria e mortal, Violet precisou se reinventar. Ela teve que descobrir, aos poucos, o que significava ser humana. Entre erros, silêncios e cartas escritas com mãos que também aprendiam a sentir, sua alma foi sendo moldada pela dor, pela empatia e, principalmente, pelo amor. Seu trabalho como boneca de automemórias a ensinou sobre a saudade, a perda, o recomeço — sentimentos que, até então, pareciam distantes de sua existência programada para obedecer.

 

No entanto, havia uma ferida que o tempo não parecia ser capaz de curar: a ausência do major Gilbert Bougainvillea. O amor que ela sentia por ele era uma tempestade constante dentro de si, uma lembrança viva que habitava cada batida de seu coração. Violet temia que essa dor jamais encontrasse a tão desejada calmaria.

 

Mas a primavera chegou, trazendo com ela mais do que flores e brisas suaves. Em uma tarde serena, quando as cores do entardecer se misturavam aos tons profundos do anoitecer, Violet o reencontrou. Gilbert estava diferente. As marcas do tempo e da guerra estavam estampadas em seu corpo: um tapa-olho cobria um de seus olhos esmeralda, e um dos braços havia sido substituído por uma prótese, assim como os dela. Mesmo assim, para Violet, nada disso importava. O que seus olhos viam era o homem que amara por tantos anos, o homem que lhe deu um nome, um propósito — e, acima de tudo, sentimentos.

 

O reencontro foi silencioso no início, carregado de emoção contida. Ela caminhou em direção a ele, hesitante, como se temesse que fosse apenas mais uma lembrança ou um sonho bom demais para ser real. Mas ele sorriu. E, naquele sorriso, Violet encontrou a confirmação de que tudo aquilo era verdade.

 

Eles se abraçaram. Um abraço longo, apertado, carregado de saudade, dor e alívio. Um reencontro entre duas almas que haviam sobrevivido ao caos e à distância. E ali, entre palavras finalmente ditas, corações escancarados e lágrimas não contidas, aconteceu o beijo tão ansiado. Um beijo doce e intenso, que selava não apenas o amor deles, mas também a certeza de que, sim, a calmaria havia finalmente chegado.

 

Alguns meses após o reencontro, Violet e Gilbert casaram-se em uma cerimônia marcada por cores vibrantes, sorrisos emocionados e uma atmosfera de pura felicidade. Amigos próximos, colegas de guerra e antigos clientes reuniram-se para celebrar não apenas a união de duas almas, mas também a vitória do amor sobre a dor e o tempo.

 

No meio da festa, entre risos e agradecimentos, os recém-casados despediram-se discretamente dos convidados. Eles seguiram em direção à casa de campo que Gilbert havia alugado especialmente para os primeiros dias ao lado da esposa. A paisagem serena do interior, pontuada por flores silvestres e o som suave do vento, criava o cenário perfeito para aquele início de vida a dois.

 

À noite, Violet banhou-se com calma, os pensamentos acelerados pelo que viria a seguir. Após o banho, espalhou sobre a pele um óleo perfumado que ganhara de presente de Cattleya — uma fragrância suave e delicada, como um abraço reconfortante. Vestiu uma camisola branca de seda, simples e elegante, e sentou-se à beira da cama, esperando. Cattleya havia lhe explicado, com carinho e cuidado, o que aconteceria naquela noite. Ainda assim, Violet sentia um turbilhão de emoções: nervosismo, ansiedade e uma curiosidade tímida. Mas havia também confiança — ela não permitiria que o medo a dominasse.

 

Quando o som da porta se abrindo quebrou o silêncio do quarto, um frio percorreu sua espinha. Seu coração acelerou. Estava na hora.

 

Gilbert entrou devagar, o olho fixo nela. Seus lábios traziam um sorriso suave, mas era fácil perceber que ele também estava nervoso. Aproximou-se com passos tranquilos e, enquanto afrouxava a gravata, comentou com uma leve risada:

 

— Eu realmente fiquei surpreso. Não imaginei que meu irmão, o Hodgins e suas amigas conseguiriam organizar uma festa tão grandiosa em tão pouco tempo.

 

Ele desviou o olhar por um instante, talvez para disfarçar a própria emoção. Foi nesse momento que Violet, reunindo toda a coragem que havia cultivado desde que aprendera a reconhecer seus sentimentos, caminhou até ele com passos decididos. Sem dizer nada, jogou-se em seus braços e o beijou — um beijo intenso, mas carregado de doçura. Era a primeira vez que tomava a iniciativa de algo assim, e cada segundo parecia eterno.

 

No entanto, para sua surpresa, Gilbert a afastou delicadamente. Sua expressão não era de recusa, mas de algo que Violet ainda não compreendia, o que a deixou ligeiramente confusa. Seus olhos buscaram os dele, em silêncio, tentando entender.

 

— Eu fiz algo de errado? — perguntou ela, quase num sussurro, a voz embargada pela timidez e pelo constrangimento que agora se instalava entre eles.

 

— O quê? — Gilbert franziu o cenho, surpreso, enquanto seus olhos percorriam a figura delicada de sua esposa. A camisola de seda delineava com suavidade as curvas de Violet, e ele sentiu o coração acelerar — É claro que não. — respondeu com ternura. — Só... é a sua primeira vez, e eu queria que tudo fosse perfeito. Não quero que você faça nada por sentir que precisa, ou por obrigação.

 

Violet corou imediatamente. Sentiu o calor subir ao rosto e desviou o olhar por um momento, mordendo o lábio inferior antes de voltar seus olhos azuis — brilhantes e frágeis como safiras — para os olhos verdes de Gilbert, tão familiares e tão intensos.

 

— Eu estou com medo... e vergonha, é claro — confessou, num tom baixo, mas sincero. — Mas não estou aqui por obrigação. Eu escolhi estar aqui... com você.

 

Ela respirou fundo, tentando controlar o turbilhão que sentia dentro de si. Suas mãos se entrelaçaram nervosamente à frente do corpo.

 

— Cattleya me contou... sobre como pode ser — continuou, a voz enfraquecendo à medida que sua pele ganhava um tom mais rubro. — Ela falou de sensações que descreveu como... incríveis. Eu só... eu queria sentir isso também. Queria viver isso com você. Mas... eu tenho medo de não ser boa o bastante. De não saber como agradá-lo.

 

— Por que você está dizendo isso? — perguntou ele com a voz baixa, deslizando os dedos com ternura pela face da esposa.

 

— É porque… — Ela desviou o olhar, fixando-o brevemente em seus braços mecânicos. Não precisou completar a frase. O gesto, silencioso, foi suficiente para que Gilbert compreendesse.

 

Sem dizer mais nada, ele a puxou para um abraço apertado e sussurrou ao seu ouvido:

 

— Esqueceu que eu também carrego as marcas da guerra?

 

Violet fechou os olhos, sentindo-se acolhida naquele instante. Gilbert não esperou resposta. Com delicadeza, passou o braço ao redor da esposa e a ergueu no colo, conduzindo-a até a cama com cuidado, como se carregasse algo precioso — e para ele, era exatamente isso que ela era.

 

Aquele gesto fez Violet perceber algo que até então não havia notado: enquanto se perdia nos próprios receios, esquecia que Gilbert também tinha os seus. Que seus medos e inseguranças não eram unilaterais. Aquela noite, mais do que um momento de entrega, seria uma partilha — de afeto, de cicatrizes, de superações.

 

Com calma, ela levou as mãos à nuca e desfez o coque, permitindo que seus cabelos dourados caíssem como uma cascata sobre os ombros e as costas. Cada movimento seu era observado com atenção por Gilbert, cujo olhar carregava uma mistura de admiração, ternura e desejo contido — sentimentos que nenhuma palavra seria capaz de traduzir por completo.

 

Ele só despertou do transe quando sentiu os dedos metálicos de Violet tocarem o tecido de sua camisa. Sem pressa, ele segurou aquelas mãos com delicadeza e depositou um beijo em cada uma, como se dissesse, sem precisar de palavras, o quanto ela era linda exatamente como era. Em seguida, seus lábios percorreram os braços dela com beijos suaves até alcançar o pescoço, onde sentiu a pele alva se arrepiar sob o toque quente da sua boca.

 

— Gil… — ela sussurrou, os olhos fechados, absorvendo cada sensação que ele despertava em seu corpo.

 

Então, os lábios de Gilbert buscaram os dela. O beijo começou calmo, respeitoso, quase reverente. Mas, aos poucos, foi ganhando intensidade, ritmo e emoção — e Violet, sem hesitar, correspondeu, abrindo o coração e o corpo para aquele momento que não era mais de dúvidas, mas de amor mútuo e entrega verdadeira.

 

Quando Gilbert deslizou a mão pelas pernas de Violet, o tecido da camisola subiu lentamente, revelando aos poucos a pele macia e alva de sua esposa. Violet arfou entre os lábios, um som suave que escapou involuntariamente, carregado de surpresa e desejo. Instigado por cada reação sutil dela, Gilbert prosseguiu com calma, desnudando o corpo esguio de Violet com reverência, como quem desvenda um tesouro guardado com zelo. Ao vê-la por completo, sua respiração falhou por um instante — ela era ainda mais bela do que qualquer palavra seria capaz de descrever.

 

Nem mesmo as explicações francas de Cattleya haviam preparado Violet para as sensações que agora floresciam em seu corpo. Cada toque, cada beijo despertava algo novo, vibrante, quase impossível de compreender com lógica — mas ela não queria entender, apenas sentir.

 

Quando os lábios de Gilbert tocaram com delicadeza a parte mais íntima de Violet, um gemido surpreso e cheio de prazer escapou de seus lábios entreabertos. Seus dedos agarraram os lençóis em busca de controle, mas logo se perderam no calor que invadia todo o seu ser. E então, ele se colocou entre suas pernas e, com ternura infinita, a envolveu em um gesto que selava definitivamente o amor entre eles.

 

Gilbert foi gentil e paciente, guiando seus movimentos com cuidado, respeitando o tempo e as reações de Violet. Aos poucos, seus corpos encontraram um ritmo, uma sintonia única, onde o desejo e o amor se entrelaçavam. Os sussurros e gemidos preencheram o quarto, como uma melodia feita apenas para os dois. Violet se agarrou a ele quando sentiu o clímax tomar seu corpo por completo, uma onda de prazer e emoção que a fez estremecer em seus braços. Logo depois, sentiu Gilbert também se entregar, deixando-se derramar dentro dela, como se completasse algo que sempre esteve destinado a acontecer.

 

Exausto e satisfeito, Gilbert deitou-se, puxando Violet consigo, acomodando-a sobre seu peito, onde o coração ainda batia acelerado.

 

— Eu te amo — murmurou, os olhos se fechando lentamente, rendido ao cansaço e à plenitude daquele instante.

 

— Eu também te amo — sussurrou Violet, antes de adormecer envolta no calor do homem que agora era seu lar.