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(W.I.P) Gulosos

Summary:

uuuhhh muitas guloseimas a serem feitas

Work Text:

Em algum lugar guloso...

— "Cê tá me dizendo que eu tenho que entregar essas cartas miseráveis pra um bando de zé-ruela?!" Um suspiro cósmico, sombrio e capaz de distorcer a realidade ecoou como única resposta. — "Hm… fazer o que, né? Escravidão tá foda hoje em dia."

Depois de literais milênios de viagem, em algum lugar da Boca do Inferno...

Passos metálicos, pesados e cheirando a sangue fresco ecoavam pelos corredores de pedra. Eram os de Swordsmachine. Seus motores zumbiam com uma agressividade contida, ele estava carregando alguma coisa, provavelmente o corpo de um Filth todo lascado. Até que, de repente, ele parou bruscamente. Seus sensores de áudio captaram uma anomalia. Algo mais guloso que ele. Outro som.

Passos molhados.

Uma figura pequena, de um tom preto-acinzentado e aparência grotesca, perambulava pelo mesmo caminho. Tentáculos finos e úmidos saiam de sua pele irregular, balançando com uma preguiça quase ofensiva enquanto ele fuçava o chão, como se estivesse procurando uma moeda perdida. Os dedos de Swordsmachine se contorceram ao redor do cabo de sua espada, os motores zumbindo em um tom agudo de aviso. Ele se moveu com a letalidade de um predador e o stealth de um guloso, esgueirando-se pelas sombras. A tensão subiu a um nível crítico, e então...

— "Opa."

Swordsmachine girou no mesmo milissegundo. Com um movimento fluido e programado para morte instantânea, ele arremessou a espada verticalmente na direção da criatura. Ela desviou (que sexy). Mas não foi uma esquiva heroica. Foi uma inclinação pro lado tão casual que era desrespeito, não, aquilo era uma humilhação. A criatura acompanhou a lâmina passar centímetros da cara dele só para dar uma olhada onde ela cravou na parede.

Antes que a lâmina sequer parasse de vibrar na pedra, Swordsmachine já tinha decidido que ele não ia deixar aquela esquiva barata. Em uma fração de segundo, a shotgun embutida em seu braço direito estava travada e apontada diretamente para a cara da criatura.

A resposta da entidade foi erguer os tentáculos imediatamente em um sinal universal de rendição. — "Opa, opa, opa! Calma lá, parça!"

Um silêncio ensurdecedor caiu sobre a sala. Os sensores de alvo de Swordsmachine piscaram, focando em algo estranho preso em um dos tentáculos levantados: era um... envelope?

O cano da shotgun abaixou... só um pouco.

— "Identifique-se. Rápido. Estou ocupado." — julgando pela voz dele, ele parecia bem impaciente.

— "Ah, beleza então. Eu sou-"

— "Menos detalhes."

— "Cara, eu nem-"

— "Seu propósito?

— "Bem… guloso."

A cabeça de Swordsmachine inclinou alguns graus para o lado. Seus processadores internos trabalhando em overclock, ele estava quase estourando. Antes que ele decidisse simplesmente apagar a criatura da existência, ela completou:

— "…Carta."

Houve uma pausa tão longa que chegou a ser constrangedora, não, realmente era constrangedora.

— "…Carta?"

— "Carta."

É... ele deu tela azul. Os sistemas de Swordsmachine deram um pane. Ele ficou ali, completamente imóvel, tentando calcular se aquilo era um fudidinho genuíno ou se era uma armadilha incrivelmente bem elaborada. Enquanto a máquina lutava com sua própria lógica, a criatura aproveitou para coçar a cabeça (ou o corpo) com um tentáculo.

— "Olha cara, se tu não quiser a carta, então que se foda. Eu como ela e falo que tu recusou. Mas aí o Guloso vai ficar puto e eu vou tomar no—"

FWOOSH. Swordsmachine arrancou a carta dos tentáculos da entidade com um movimento seco, desesperado, quase rude.

— "O Guloso?!"

Naquele exato instante, a fachada de máquina assassina e inabalável de Swordsmachine desmoronou como um prédio em demolição. — "Tipo... o próprio Guloso? Ele mesmo? ...Genuinamente?"

O robô deu uma segunda olhada inspecionando o envelope, e depois olhou freneticamente para o ambiente ao redor, como se esperasse que o próprio Inferno se abrisse para dizer que aquilo era mentira. Quando o Inferno permaneceu em silêncio, a tensão nos ombros hidráulicos de Swordsmachine lentamente desapareceu. Em um gesto de absoluta rendição ao absurdo, ele liberou a tensão acumulada em seus ombros com um som estranhamente parecido com um suspiro.

— "... Tá ok. Eu aceito."

A criatura bateu os tentáculos juntos levemente em alegria.

— "Nice demais."

Ela olhou para o visor luminoso de Swordsmachine de novo. A máquina letal parecia estar profundamente pensativa, processando o peso da situação.

— "...Então, uuuhhh, o papo tá bom, mas eu vou indo?" Sem resposta. A criatura não esperava nenhuma mesmo. — "Te vejo daqui a algumas semanas, ent—"

— "Calma lá."

— a voz interrompeu, recuperando um pingo de compostura.

— "Vai sair sem me dizer o seu nome?"

— "...Gnat."

Swordsmachine balançou a cabeça suavemente, gravando o nome de forma permanente em sua memória.

 

 

Time Skip lendário 

 

 

Depois de quase ser morto pelo Swordsmachine, Gnat desceu ainda mais fundo no Inferno, alcançando a Camada da Violência. O cheiro ali era uma mistura de sangue fresco, pólvora queimada e mortes súbitas, noturnas e inexplicáveis. Um rio largo, denso e lento de sangue cortava o terreno desolado.

E ali, sentado na margem como se estivesse pescando num domingo de sol, estava o GOAT Gutterman.

Ele era um literal titã de guerra. Seu escudo colossal estava fincado no chão e a minigun monstruosa acoplada ao braço direito parecia pronta para triturar um exército. Mas, para a surpresa de Gnat, aquela máquina de chacina segurava algo minúsculo entre suas imensas mãos metálicas.

Aquilo era... uma borboleta?

Sim, uma borboleta azul batia as asas calmamente, ignorando por completo o fato de estar no epicentro do sofrimento eterno (e por favor, não pergunte o que uma borboleta está fazendo no Inferno, apenas aceite o momento). Gutterman observava o inseto com uma atenção quase cirúrgica, perfeitamente imóvel.

Gnat parou a uma distância milimetricamente segura, com os tentáculos caídos em confusão pura e inadulterada. — "Cara... o que esse mano tá fazendo?" Ele sussurrou para si mesmo, antes de pigarrear alto. — "Ahem... Opa? Gutterman, né? Uuhh.. entrega. Ou... Delivery...? Sei lá cara, Ifood das cartinha, é pra você."

Gnat deu alguns passos cuidadosos à frente. Gutterman ergueu a cabeça numa lentidão quase dramática. As luzes brancas por baixo do visor brilharam, focando na criatura cinzenta. Ele não se levantou, mas ele ficou ali, encarando Gnat por longos segundos, parecendo calcular se valia a pena gastar combustível para se mexer.

Gnat balançou um tentáculo, impaciente, o silêncio estava matando ele. — "Olha aqui doido, eu não tenho o dia todo não. Na real, eu não tenho nem salário nessa porra, então quanto menos tempo eu gastar aqui, melhor pro meu psicológico. Quer a carta ou não?"

Gutterman inclinou a cabeça blindada para o lado, emitindo um leve som de engrenagens. Ele olhou para Gnat, olhou para a carta, e depois olhou de volta para Gnat.

Então, com uma delicadeza inacreditável para um tanque de guerra ambulante, Gutterman estendeu um único dedo de ferro gigantesco, coberto de fuligem, e começou a esfregar de leve o topo da cabeça (ou do corpo) de Gnat.

Ele estava fazendo carinho.

Gnat congelou instantaneamente. Seus tentáculos travaram no ar. — "Que... o que tu tá fazendo, grandão? Isso é cafuné? Vai toma no seu cu porra!" — Gnat resmungou, mas, por alguma razão puramente biológica e inexplicável, ele meio que se inclinou contra o dedo metálico. — "Tá, beleza, é meio confortável, admito. Mas foca aqui, ó."

Gutterman pareceu satisfeito. Com todo o cuidado do mundo, ele pousou a borboleta azul sobre uma pedra lisa próxima, garantindo que ela ficasse bem. Só então o gigante se levantou, fazendo o chão tremer de verdade. Ele estendeu a mão enorme, com a palma virada para cima.

Gnat se aproximou e depositou o envelope ali. — "Toma. É um convite oficial pra virar discípulo do Guloso. O pacote é completo: tem ônibus fretado, tem robô, tem gente biruta, tem cavalo, tem deuses cósmicos, tem boquete guloso, entre outros."

Gutterman pegou o envelope com a ponta dos dedos grossos, tratando o papel com o mesmo cuidado que teve com a borboleta. Seus ombros massivos se moveram de leve para cima e para baixo, soltando um som metálico que parecia muito com um suspiro longo de alívio.

— "E aí? Topa?" O fudido do Gnat perguntou, cruzando dois tentáculos em uma postura de cobrança. — "Porque se tu recusar, eu vou ter que voltar aqui depois para renegociar, e eu odeio repetir rota."

Gutterman dobrou a carta meticulosamente e a guardou dentro de um compartimento seguro de sua armadura pesada. Ele olhou para Gnat mais uma vez e assentiu com a cabeça — um aceno único, firme e definitivo.

Em seguida, o robô apontou o dedo para si mesmo, depois para Gnat, e fez um gesto simples de "joia" com a mão livre, como se dissesse: “Tô dentro. Pode contar comigo.”

Gnat deu de ombros, soltando uma risadinha gulosa e molhada. — "Beleza, grandão. Fui."

Gutterman deu uma leve balançada em sua minigun com um movimento fluido e deu um passo para o lado. Antes de engatar a marcha e começar a andar, ele olhou uma última vez para a pedra, confirmando que a borboleta ainda estava sã e salva, e só então tomou um rumo completamente diferente do de Gnat, marchando a passos pesados em direção a um lugar isolado para se preparar para o que vinha pela frente.

Gnat suspirou fundo, já voltando a resmungar enquanto caminhava para a saída da camada. — "Tu é bem mais tranquilo que o outro clanker psicopata. Isso é bom… eu acho. De verdade. Vou indo logo antes que eu mude de ideia e resolva comer essa carta de raiva."

 

 

Time skip lendário v2

 

 

 

Gnat continuava andando pelos corredores da próxima camada, a Camada da Ganância, balançando os tentáculos com irritação enquanto olhava o maço de cartas cada vez mais amassado.

—"V2… só tem clanker nessa porra?! Puta merda.. era só o que me faltava... Que maravilha. Depois do Swordsmachine quase me fatiar e do grandão silencioso, agora vem o modelo metido a besta. Tô amando esse emprego sem salário, hein, Guloso? Tô amando pra caralho."

Ele chegou a uma área aberta, cheia de destroços e marcas de batalha antigas. No centro, V2 estava sentado em um trono com uma pose relaxada, como se ele era o rei daquele lugar A máquina era chamativa, vermelha e claramente se achava o centro do universo.

Gnat parou a uma distância segura e pigarreou com um som molhado.

—"E aí, parça! Tu é o V2, né? O Guloso mandou uma cartinha pra tu. Eu sou o entregador oficial dele… sem salário, sem vale-transporte, sem nada. Só sofrimento mesmo."

V2 estreitou o seu olho singular, o brilho amarelo carregava.. confusão.

—"...Você não é o V1... Espera, entregador? Se quiser entreter um rei que nem eu, deveria se esforçar mais no seu dever como palhaço, sabe. Se veio pra me desafiar, já pode voltar rastejando, ô tumor ambulante."

Gnat riu sarcástico, balançando um tentáculo.

—"Desafiar? Eu? Cara, eu mal tenho energia pra entregar essas merdas. Olha aqui, ó." Ele esticou dois tentáculos que seguravam o envelope. "Carta do Guloso ele mesmo. Tu foi escolhido pra ser discípulo dele. Tem data marcada pra todo mundo se encontrar num ponto específico. Tu vai, ou eu enfio a carta no meio do olho do seu cu e falo que tu recusou? Eu adoraria, na real. Menos trabalho pra mim."

Porém, no mesmo instante, ele balançou a cabeça, voltando sua atenção pra situação em que ambos se encontravam. O brilho amarelo que radiava confusão agora radiava arrogância, e então, soltou uma risada alta e cheia de si.

—"Hah! Então que assim seja! Finalmente alguém reconhece minha grandeza! Eu, o V2, o ápice da perfeição mecânica! Claro que o Guloso iria me escolher. Quem mais seria digno?"

Gnat ficou olhando, tentáculos caídos de puro tédio.

—"Nossa, que humilde tu é, hein? Olha, toma a carta aqui e me poupa o discurso. Eu ainda tenho que chamar os outros palhaços pra esse circo."

Ele esticou um tentáculo e jogou o envelope na direção de V2. A máquina pegou no ar com precisão, abriu com um gesto exagerado e... nem leu direito. V2 ergueu o peito com orgulho… mas hesitou por meio segundo, como se o peso da realidade estivesse finalmente caindo sobre aquela câmera que ele chama de cabeça.

—"Quer dizer… não que eu precise de um grupo nem nada, hmph… mas tudo bem. Aceito o convite. Afinal, uma perfeição como eu não pode ficar escondida para sempre, sabe como é."

Gnat cruzou dois tentáculos e soltou uma risadinha sarcástica.

—"Ah, claro. Tu tá fazendo um favor pro (Wilson) Universo, né? Coitado do meu chefe que te escolheu… devia estar desesperado pra ter alguém que nem você. Enfim, a reunião é no ponto marcado na carta, na data que tá escrita aí. Não se atrasa."

V2 apontou a arma dramaticamente para o céu.

—"HAH! Você realmente acha que EU, V2, Iria me atrasar?! Eu sou a personificação da perfeição, o ápice da tecno-"

—"Beleza, beleza, já entendi," interrompeu Gnat, já virando de costas. "Tchau, véi. Tenta não explodir os outros antes da reunião, tá? Meu trabalho já é difícil o suficiente."

Time Skip lendário³

(W.I.P Pesado.)