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Banho de Sangue

Summary:

O plano da Ordo Realitas de capturar os cinco assassinos para se infiltrar no Hexatombe falhou. O caminho para a grandeza está claro, mas os Assassinos possuem conflitos internos que precisam ser resolvidos se quiserem ter seus desejos realizados. A Coroa de Espinhos clama por uma resolução.

Chapter 1: Prólogo

Chapter Text

O paranormal não vem para nossa realidade de maneira fácil. Um preço sempre precisa ser pago. Algo grande está retornando e existem aqueles no qual a grandeza sempre foi prometida. Um grupo de cinco assassinos motivados pela ambição, pela fome e pelo desespero se reuniu para participar de um ritual profano com a promessa de realizar qualquer desejo. Mas mesmo sendo uma equipe, ainda existiam conflitos internos que os impediam de trabalharem juntos, cada um buscando apenas sua própria intenção. Cada um se alimentando do sangue de suas próprias vítimas.

 

Mas naquela noite de Natal, ao invés de se separarem novamente, todos os cinco assassinos decidiram caçar juntos. Afinal, era o último dia em que estariam juntos antes do Hexatombe começar.

 

Os cinco sobreviventes corriam desesperadamente enquanto Shanyqua ficava para trás, em um ato de sacrifício para garantir que os poucos que sobraram conseguissem sair vivos daquele acampamento maldito. Ricardo murmurava palavras de dor enquanto fugia, carregando consigo a culpa de não ter sido capaz de salvar seus amigos quando eles mais precisavam dele. Breno só conseguia pensar em sobreviver, ainda desacreditado de toda a situação ao seu redor. Jorel tentava acalmar os ânimos, guiando o grupo até a cabana da antena enquanto Jorge e Melissa continuavam discutindo sobre a maldita máscara que carregavam com eles.

 

No meio do caminho, Jorge, Breno e Melissa reconheceram um ônibus abandonado, o ônibus que havia os colocado naquela situação. Um pesadelo que não parecia ter fim. O grupo seguiu até alcançar a cabana com a grande antena de sinal, a única esperança de sua sobrevivência, eles precisavam chamar ajuda. Com um pouco de trabalho duro, eles conseguiram consertar o velho rádio e imploraram desesperadamente por resgate. A voz do outro lado entendeu o recado e pediu para que mantivessem a calma e tentassem se defender até os reforços chegarem.

 

Agora, existia uma chance de sobrevivência. Os assassinos podiam ser fortes, mas eles eram burros. Com um plano bem elaborado, eles seriam capazes de vencê-los. Ou pelo menos, era o que os sobreviventes acreditavam. Mas para o azar deles, Jae e Aguiar não eram os únicos caçadores daquela noite. De repente, um som estrondoso de um raio atravessou todo o grupo, atingindo em cheio o Breno, que ainda manuseava o velho rádio.

 

O corpo de Breno caiu no chão, completamente chamuscado, e uma risada estridente se revelou das sombras. Com um sorriso perturbador, segurando uma antena como se fosse um cajado, ele estava lá esperando por eles, esse tempo todo saboreando o desespero e rindo das falsas esperanças que eles haviam criado. Os sobreviventes gritaram em horror e saíram correndo da cabana, enquanto a figura permaneceu parada. Não havia escapatória desse lugar. Apenas mais almas para o Labirinto.

 

Na sua tentativa de fuga, o grupo se deparou com os cachorros de Aguiar cercando a cabana. Jorge disparou na frente, roubando a máscara de Melissa, enquanto Ricardo lidava com os animais ferozes. A culpa e o estresse acumulados haviam despertado os instintos bestiais de Ricardo, que usou de toda sua força para esmagar um dos cachorros e espantar o outro. Graças a isso, Melissa e Jorel conseguiram fugir em segurança atrás de Jorge, mas agora Ricardo havia se tornado um alvo para o assassino, que gritou em fúria e o perseguiu até a beira do Lago Diamante.

 

Ricardo sabia que Aguiar não conseguiria o perseguir na água graças a uma das evidências que haviam encontrado no acampamento. O atleta rapidamente tentou embarcar em um dos botes e partir sem rumo no meio do lago. Aguiar furiosamente arremessou o machado em sua direção, mas não foi forte o suficiente para alcançá-lo. 

 

— Ufa, essa foi por pouco. — Ricardo se encontrava ofegante, seus músculos tremendo com a adrenalina. Além do medo que já havia o consumido, esses instintos eram poderosos. Ele nunca se sentiu tão forte quanto naquele momento.

 

Ricardo encarava suas mãos, duvidando de sua própria humanidade, até que sentiu o bote parar em um impulso, como se tivesse sido segurado. O atleta imediatamente se desesperou, Aguiar permanecia parado no cais apenas observando, como se estivesse esperando algo acontecer. De repente, Ricardo sentiu seu braço sendo agarrado por uma força maior e seu corpo inteiro cedeu para a água em questão de segundos. Uma figura imensa, vestindo um capacete de mergulhador, puxava Ricardo para o fundo do lago. O atleta se debatia em desespero, tentando usar novamente sua força bestial para se soltar, mas a figura lhe puxava cada vez mais para o fundo. Ricardo sentiu seu pescoço ser apertado por aqueles braços enormes, o ar escapando de seus pulmões e dando lugar para a água doce. O mundo se apagava para ele enquanto a única coisa que enxergava além da escuridão era o grande visor vermelho da figura que destruiu sua vida.

 

"Leandro... Lila... Nath... Shany... me desculpem."

 

Jorge e Melissa corriam no mesmo ritmo, fugindo em desespero das figuras que os perseguiam. Mas assim que a garota percebeu que Ricardo era o alvo do Mutilador, sua atenção se voltou para Jorge que segurava a sua máscara. Em uma tentativa desesperada de recuperar o objeto, Melissa tentou saltar sob os ombros do rapaz para quebrar seu pescoço. Os dois sobreviventes estavam prestes a entrar em uma luta corporal quando Jorel se aproximou, apontando o revólver para Melissa.

 

— Me passa a máscara. — o garoto ordenou.

 

— Jorel, cuidado! Essa é a máscara da líder master deles! Deve ser algum símbolo religioso, ou de poder, sei lá! — Jorge explicou com suas mãos trêmulas.

 

— Se você não tá obcecado pela máscara, então entrega pra ele ué. — comenta Melissa.

 

— E eu não tô mesmo! É você que tá! Mas Jorel, por favor, cuidado isso é perigoso. É maligno! — Jorge suplicou, lentamente se aproximando de seu irmão para lhe entregar o objeto amaldiçoado. 

 

O olhar de Jorel denunciava sua malícia, todo aquele poder seria o suficiente para garantir que ele saísse vivo dali. Ele precisava sobreviver! Mas com seu braço quebrado, ele estava em desvantagem. Ele precisava de algo para equilibrar o jogo.

 

Tudo aconteceu muito rápido para Melissa. A máscara que tanto havia lhe seduzido estava prestes a ser usada por alguém que não era digno. Até que o som de um disparo mudou tudo. Em um piscar de olhos, os corpos dos dois irmãos caíram juntos no chão, com seus crânios atravessados por uma única bala disparada do meio da floresta. A máscara da Caçadora de Gente caiu das mãos de Jorel e agora permanecia sob os pés de Melissa, que desesperadamente agarrou o objeto e o revólver de Jorel e saiu correndo na direção contrária de Ricardo, voltando para a Casa Juno.

 

O acampamento agora estava silencioso, com aquela noite sangrenta sendo iluminada pela Lua cheia. Melissa tinha esperanças de que sobreviveria se permanecesse dentro daquela casa, o lugar aonde os sobreviventes haviam tomado abrigo e onde Ayla morreu sem que Melissa pudesse fazer nada para ajuda-la. Agora, carregando o peso de ser a última sobrevivente, o único conforto que a garota encontrava era a máscara que carregava consigo. Talvez o poder dela fosse capaz de salva-la daquela situação.

 

— Não... eu não posso. 

 

Por mais que aquela máscara seduzisse Melissa, no fundo ela sabia que não era o suficiente. Ela não seria capaz de enfrentar todos aqueles assassinos sozinha. Ela sempre foi uma covarde incapaz de lutar por si mesma. Então, estando encurralada, a única opção era morrer com coragem.

 

Abrindo a porta da casa, Melissa se deparou com quatro figuras se aproximando. Um brutamontes trajado como um lutador, vestindo grandes manoplas e um grande capacete de mergulhador. A porra do motorista. Um homem bem corporado segurando um machado e vestindo uma máscara de hockey marcada por uma mão sangrenta. Aquele policial de merda. Uma mulher de cabelos trançados usando diversas faixas e um sobretudo para cobrir todo seu corpo, segurando em suas mãos um grande rifle. Ela que deu aquele tiro? E na frente de todos eles, a figura que executou Breno. Uma pessoa magra vestindo trapos e diversos papéis marcados por labirintos, ela segurava uma antena em forma de cajado e sua máscara era a mais perturbadora de todas. Um grande sorriso carnoso de sadismo.

 

A garota se aproximou das figuras mascaradas, seus dedos tremiam e suas pernas hesitavam a cada passo. Aquilo era suicídio, mas não tinha outra saída.

 

— Olha aqui seus merdinhas, essas máscaras de merda são importantes pra vocês? Por que eu tenho uma aqui e eu não tenho medo de usa-la! Vocês acham que vão sair ímpunes disso? A gente já falou com a polícia e eles estão mandando reforços pra cá, boa sorte lidando com isso. — Melissa gritava em busca de alguma reação, talvez esperava conseguir negociar ou intimidar essas figuras assombrosas que a observavam em silêncio. A garota queria acreditar que ainda existia qualquer tipo de humanidade neles.

 

— Ei! Sua loirazinha estúpida, você não é digna de usar essa máscara! — exclamou Aguiar dando um passo a frente.

 

A mão de Melissa alcançava o revólver, ao mesmo tempo que levantava a máscara em direção ao seu rosto. Porém, a mesma risada estridente invadiu seus ouvidos novamente. Aquela maldita figura estava rindo denovo, dessa vez de forma descontrolada. Melissa sentiu seu corpo paralisado por um momento, como se estivesse sendo intimidada pelo riso daquela figura bizarra. Mas, no meio de sua confusão, uma realização veio na mente de Melissa.

 

"Quatro? Eles não estão em quatro, eles estavam em cinco, onde est-"

 

— Shhhhh... Você fala alto demais pro meu gosto. 

 

A adrenalina de encarar tantas mortes fez Melissa por um momento se esquecer da figura que lhe perseguiu no começo de tudo. Uma pessoa andrógina, com um rosto esbelto e maquiagem bem feita mas escondida por de trás de um capuz sombrio com apenas um "X" estampado onde deveria estar sua face. Elu segurava a faca no pescoço da garota, ela conseguia sentir o fio da lâmina pressionando levemente sua pele enquanto a voz do assassino invadia seus ouvidos como um sussurro.

 

— Você é bonitinho. Mas vai a merda! — murmurou Melissa tentando afastar seu pescoço da lâmina.

 

— Jae! Sem tempo para joguinhos, acaba com isso logo! — o motorista do ônibus gritava para o encapuzado, sua voz grossa abafada por aquele grande capacete dourado.

 

— É uma pena, eu sinto que em circunstâncias diferentes, eu e você teríamos nos dado muito bem. — sussurrou Jae.

 

O corpo de Melissa reagiu, tentando empurrar Jae para trás e se soltar dos braços do assassino. Mas antes que conseguisse realizar seu movimento, seu pescoço já estava sendo aberto pela lâmina da assassina. Melissa caiu no chão por cima do revólver que estava na sua mão. A máscara da Caçadora de Gente caiu mais ao lado, onde foi agarrada por Aguiar. A garota tentou se arrastar, resvalando no próprio sangue e permanecendo no chão. O riso da figura dos labirintos se intensificou e esse foi o último som que Melissa foi capaz de ouvir antes de perder completamente sua consciência. Todos os sobreviventes daquela noite estavam mortos.

 

— A garota disse a verdade. Eles chamaram ajuda, temos que sair daqui. — Kemi anunciou, já se virando para ir embora.

 

Dalmo observou por um tempo o corpo morto da garota no chão, uma poça de sangue lentamente se formando pela grama. Tão jovem.

 

Os dois assassinos seguiram em direção a saída do acampamento, sendo seguidos por Jae e Aguiar logo em seguida. Jae se gabava por ter vencido a disputa e caçado mais vítimas que o policial, mas Aguiar parecia inerte enquanto segurava a máscara de sua mestra.

 

Por fim, a figura dos labirintos finalmente havia parado de rir. Se aproximando do corpo de Melissa e delicadamente deslizando dois dedos pelo seu pescoço. O sangue da garota escorreu pelos dedos de Labirinto, que se levantou para olhar em direção a Lua. O dia está chegando.

 

Alguns minutos depois, uma van chegou no acampamento, com diversos agentes se espalhando para procurar por sobreviventes. Mas a Ordem havia chegado tarde demais e já não tinha mais ninguém lá. O plano de Agatha havia falhado antes mesmo de ser colocado em prática e agora os Mascarados estavam prontos para o começo do Hexatombe.