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Sorriso Ultrajante

Summary:

Vi é uma rockstar de sucesso acostumada a ter todas as mulheres que deseja, mas ela não se lembra de já ter visto uma com peitos tão bonitos antes.
E para seu terror, a dona deles não parece assim tão favorável ao charme da cantora.

ou

Caitlyn não pretendia sair naquela noite, mas, após ser convencida pelo melhor amigo, ela não apenas compareceu ao evento, como em um momento de euforia acabou por mostrar seus peitos para uma das atrações.

 

É isso, toda a história gira em volta dos peitos da Caitlyn.
Mas elas vão se apaixonar, eventualmente.

Notes:

Essa é uma história baseada nas músicas de uma banda brasileira de rock dos anos 80 (Ultraje a rigor) porque eu cresci ouvindo meu pai escutar isso e decidi escrever como se a Vi estivesse por trás das letras, mas na atualidade então meio que isso é pura energia do Brasil, mas só que com Caitvi.

Peço perdão desde já, não sei mexer direito nesse site ainda, mas decidi arriscar.

Chapter 1: Eu gosto de mulher

Chapter Text

Show beneficente promete ser a aposta mais disputada para o fim da semana.

O evento acontecerá na noite da próxima sexta-feira, 17 de fevereiro, e deverá seguir até a madrugada de sábado. O mesmo ocorre por uma boa causa: empresários, políticos e artistas unem forças para arrecadar dinheiro e mantimentos para as vítimas de alagamento por todo o estado. Os ingressos esgotaram-se antes mesmo de que todas as atrações da noite fossem anunciadas.

Até agora, o “Solidariedade music” conta com cinco atrações já lançadas, sendo elas: Céu, O Grilo, Duda Beat e Vi. Há ainda, uma surpresa que fechará a noite.

O último show gerou grande repercussão nas redes sociais. Internautas especularam, principalmente, entre atrações internacionais, mas a equipe organizadora se nega a confirmar ou dar dicas e, inacreditavelmente, não houve nenhum vazamento de informações.

Aqueles que não conseguiram ou não puderam adquirir ingressos, podem fazer uma doação pelo site oficial clicando aqui. Ao executar uma doação acima de R$ 4:99, o site gera um código que dá direito ao sorteio de brindes cedidos pelos artistas para esse fim, buscando incentivar uma maior participação por parte da comunidade. O sorteio deve acontecer após o carnaval ou quando a meta de arrecadação for batida.

 

Caitlyn estava jogada em sua enorme cama , com o kindle em mãos, lendo um dos livros da faculdade, quando um Jayce sorridente adentrou seu quarto.

— E aí, Caitlyn Kiramman? — ele está usando um de seus ternos brancos, o que significa que deve ter acabamento de sair da empresa.

— Por que seu tom de voz me diz que eu vou querer te expulsar daqui em questão de segundos? — ela pergunta enquanto se senta, deixando o aparelho de leitura ao lado.

— Boa tarde pra você também, Cait.

— Você não veio até aqui só para me cumprimentar, Talis. Vai, desembucha.

Ele olha em volta e deixa o olhar cair sobre a única rosa murcha esquecida em cima de seu móvel de cabeceira, mas não faz perguntas, apenas segue inspecionando o quarto.

— O evento que Mel organizou, você ao menos lembra que é hoje?

– É lógico. Até porque vocês não falam de outra coisa há dias.

— Já escolheu sua roupa então?

Ela sorri:

— Boa piada.

— O que, você não vai? Cait, é um evento beneficente, as doações...

— Até onde eu sei a minha mãe já fez uma boa doação. Mas se é isso que está no jogo, posso fazer uma eu mesma aqui e agora. — Ela puxa o celular de debaixo do travesseiro, onde o colocou para que não a distraísse dos estudos. — Qual é o PIX mesmo?

Jayce respira fundo.

— Não é da sua doação que precisamos.

Cait ergue uma sobrancelha para ele.

— Que merda, Caitlyn, você me entendeu. — Ele revira os olhos. — Faça a doação, é bem-vinda, mas venha conosco. Mel colocou seu nome na lista do camarote dela.

— Bom, ainda é cedo, dá tempo de substituir. Eu preciso estudar.

— Cait, é sexta-feira, você pode sair com seus amigos ao menos uma vez sem que seu índice de rendimento acadêmico deixe de ser 9,8. O que aconteceu com o I don’t know about you But I’m feeling 22? Você prometeu que esse seria o seu ano.

— Não use Taylor Swift contra mim.

— Vem com a gente e não vou precisar usar.

— Nós realmente estamos vendo quem é o mais teimoso?

— Não, porque nesse aspecto você ganha facilmente. Eu só queria que no futuro você fosse capaz de olhar pra trás e pensar: eu vivi uma vida que valeu a pena.

— Queria? Não quer mais?

Por mais irritado que Jayce pareça com a correção do tempo verbal, ele sorriu.

— Viu? É disso que eu estou falando. É por isso que ninguém suporta alunos de direito.

— Eu tenho consciência de classe, não precisa me lembrar de que somos insuportáveis.

— Tá bom então. — Ele suspira. — Eu não tenho o mesmo como argumentar com você, né? Mas sei lá, achei que seria legal dar uma volta todos juntos em uma data que não fosse aniversário de alguém, comício político ou compromisso formal.

— Eu entendo, de verdade, é só que... — As palavras morrem em sua garganta. Ela não tem mais motivos para explorar e parte dela sabe que Jayce está certo: ela deveria se divertir.

— Olha, eu realmente não sei se você se interessaria pelas três primeiras atrações, mas tipo... Vi, a quarta, ela não é nenhuma Rita Lee e nem chega aos pés da Pitty, mas pelo que sei, é lésbica e tem uma música que o nome literalmente é Eu gosto de mulher. Acho que você deve conhecer...

— Sim, eu já ouvi falar a respeito, mas sinceramente? Nada que me chame atenção. Não é só porque eu sou lésbica que preciso gostar de uma cantora mediana voltada ao público feminino.

— Na verdade eu vejo muito homem cantado isso também.

Caitlyn revira os olhos:

— Pobres homens cis héteros. Mas ei, como diabos você conhece?

— Mel estava supervisionando os detalhes e passei por lá antes de vir aqui. Ela tava passando o som na hora e alguns dos funcionários pareciam conhecer.

– Entendi. — Ela pensa um pouco a respeito. — É, mesmo sem conhecer consigo entender o apelo que ter esse tipo de representatividade traz, só não faço muita questão de...

Meu Deus, você não facilita em nada a droga da minha vida! — Jayce perde a paciência. — Eu não deveria usar essa carta, mas você não me deixa escolha então vamos lá: Seraphine é a atração surpresa.

Cait o encara, buscando pela brincadeira, mas é aí que está: ela conhece Jayce bem o suficiente para saber que ele está falando a verdade.

— Seraphine é a atração surpresa? — ela repete, incrédula. — Você me ouviu. — Meu Deus, me desculpe. — Ela ri e se joga para trás, caindo no colchão outra vez. — Sua insistência faz muito sentido agora. Meu Deus, meu Deus. —Cait puxa sua almofada de coração e cobre a boca para gritar. Seraphine. Ela tinha virado fã da cantora há cerca de um ano: ano esse em que a mulher estivesse longe dos palcos, após sofrer um pequeno acidente logo após o encerramento da última turnê.

– De nada. — Jayce está olhando com certo julgamento.

— Você sabia disso desde o começo, não é?

— E foi bem difícil não contar a você. Agora que estraguei a surpresa, faça-me o favor de escolher sua roupa e tudo mais. Os portões abrem às 18h, o que significa que... — ele olha para o próprio relógio. — É daqui a cinco minutos. Mas tá tudo bem, não vamos pegar fila de qualquer forma. O primeiro show deve começar às 20h. Você tem tempo. Aliás, pode levar a...

— Não tenho ninguém pra levar.

Jayce franze a testa e seu olhar recai sobre a rosa murcha outra vez, mas ele permanece em silêncio.

— Até mais tarde. — Ele diz, deixando-a sozinha.

Caitlyn desistiu de estudar quando ficou claro que não conseguiria se concentrar. Ela desce as escadas e, por algum milagre, encontra ambos os pais sentados na sala de estar, a TV, um fantasma ao fundo de sua conversa animada.

— Mãe?

— Reunião cancelada. — Ela explica. — Acabei de chegar.

— Jayce já foi? Eu nem o vi saindo. — O pai sorri para ela.

— Foi sim, ele só veio combinar como seria nossa ida ao show hoje, parece que sente a necessidade de fazer isso pessoalmente, como se mensagens não fossem o suficiente.

— E você vai? Legal, é bom sair um pouco, esfriar a cabeça. — O pai comenta.

— É, eu vou sim. Além de que estou fazendo uma doação também.

— Eu nem sabia que você gostava do pessoal que vai tocar. — A mãe não parece tão feliz com a notícia. — Quando disse que era a mesma na próxima prova? Tem certeza de que é uma boa ideia ir?

— Para falar a verdade não ligo muito, estou indo só pela parte de encontrar meus amigos mesmo. — Cait mente. — E eu nem preciso de nota para passar na próxima prova. O seminário da semana passada valia metade e meu grupo fechou todos os quesitos, então...

— Mesmo assim, acha que ficar com um cinco no seu histórico é uma boa ideia?

— Eu não vou zerar a prova, mãe. É a matéria de Grayson ainda por cima. Não se preocupe.

— Deixe que a garota se divirta, Cassandra. Qual foi a última vez que Cait foi para algum lugar que não fosse a faculdade?

— Ele tem um bom ponto. Fora que pode ser bom para o nome da família que, além de doar, um Kiramman esteja no local. A imprensa com certeza estará lá. — Cait apelou.

— Caitlyn! Não estou pensando em promover o nome da família.

Até parece, ela pensa.

— Eu sei, só estou mostrando as vantagens. É só uma noite, já passei a tarde estudando e ainda tenho o resto do final de semana pra isso. O que pode dar errado, de verdade?

Cait ainda não fazia ideia de quanto as coisas poderiam dar errado, mas ela teria muito tempo para se preocupar com isso depois.

...

Ela dá uma volta para que Mel possa ver toda a composição de sua roupa através da chamada de vídeo. A mulher, que se encontra encostada em uma cadeira enquanto sua cabelereira termina de prender enormes seus cabelos em um penteado lindo e complexo, sorri para ela.

— Está linda, Cait. Algum alvo específico com este decote?

— Gostaria de poder dizer que sim, mas não. — Ela sorriu para sua própria imagem refletida, o vestido azul é realmente revelador: além de ser frente única, ele possuía fendas em ambos os lados da saia midi.

—Bom, Tenho certeza de que qualquer garota que tenha interesse cairá nos seus pés. — A cabeleireira diz alguma coisa que Cait não consegue entender e Mel fica de pé — Já estou saindo. Nos encontramos lá, querida.

— Certo, só vou escolher a bolsa e também já saio, até daqui a pouco.

—Até.

Ela finaliza a chamada e retorna ao armário, levando cinco minutos para decidir por uma pequena bolsa preta. Cait guarda a carteira, alguns itens de maquiagem e um vidrinho de álcool em gel antes de se olhar uma última vez no espelho. Ela era um pouco insegura sobre o uso de salto alto até que Jayce começou a sair com Mel: a prefeita era ainda mais alta que Caitlyn e tinha uma coleção de saltos de dar inveja a qualquer um.

Agora, Cait apenas desfilava por aí sem se importar se a sua altura era intimidadora. Ela não precisa se preocupar com o ego masculino de qualquer maneira.

A jovem escolhe chamar o motorista, já que achar um lugar para estacionar é uma dor de cabeça com a qual ela não quer lidar essa noite. Não que gostasse de parecer uma garota rica e mimada, mas poxa... ela era uma garota rica, ainda que não concordasse totalmente com a parte do mimada.

Como se ela não tivesse literalmente ganhado um rifle dos pais no dia em que declarou interesse por aprender em atirar com um. Quando desce do carro em frente ao local do show às 19h50min a movimentação já demora consideravelmente, já que a esse horário, os outros portões já estão fechados e apenas aqueles que possuem acesso aos camarotes podem circular livremente. Não demora muito para que os seguranças encontrem seu nome na lista e um membro da equipe da prefeitura a guie até onde Jayce e Mel estão.

— Cait, finalmente! Eu já estava começando a achar que você tinha mudado de ideia e desistido de vir.— Jayce sorri para ela, segurando uma taça de gim. — É open bar.

— Pensei seriamente, mas meu pai acabou me convencendo. — Ela devolve o sorriso e cumprimenta Mel, que rapidamente trata de entregar uma taça para ela também.

—É para ser uma noite divertida. — Ela explica.

— Mas você está aqui trabalhando. — Cait aponta.

— Eu gosto do que faço.

— Posso ver.

Caitlyn anda um pouco pela área, ela já conhece alguns dos convidados e é apresentada a outros em um curto espaço de tempo.

Elora, assistente pessoal de Mel, faz uma careta para o tablet que tem em mãos antes de informar a mulher que um pequeno contratempo com a estrutura deve atrasar um pouco o início do evento, o que nem é uma grande surpresa, mas irrita ambos as mulheres e Cait conseguem atendê-la: atrasos não deveriam ser considerados comuns. Tudo bem que nessa ocasião em particular se tratava de um imprevisto, o problema real era quando as pessoas apenas se atrasavam sem qualquer justificativa, como se o tempo delas valesse mais que o dos outros.

É sobre isso que Cait está reclamando com o melhor amigo quando Mel os deixa para resolver o que quer que seja e, em seguida, subir no palco para anunciar a primeira atração.

Cait acaba de aceitar a segunda taça das mãos do amigo quando o primeiro show começa, com quase meia hora de atraso. A cantora, com a qual Caitlyn nunca tinha se importado até o momento, dança pelo palco enquanto Mel, que retornara há algum tempo, tenta apresentá-la a uma de suas convidadas com a qual ela trocara um breve “olá, boa noite” mais cedo. A mulher é uma designer de sapatos em ascensão e parece se esforçar muito para manter os olhos no rosto de Cait e não em seu decote.

Não que Caitlyn não goste de receber esse tipo de atenção de mulheres bonitas, mas ela se sente incomodada com esse caso em particular, tanto que quase recusa o drink que a moça pega para ela.

Cerca de quarenta minutos depois, quando a segunda atração já está no palco, é Cait quem vai buscar as bebidas, apenas para escapar da presença da outra mulher por algum tempo.

Ela não era lá muito boa em dar foras e continuar no mesmo ambiente no qual a pessoa dispensada estava, principalmente se já estava levemente alcoolizada, todavia, ela não voltaria para casa agora e também não podia dizer para a designer que fosse.

Tudo a sua volta está girando quando ela sai do banheiro após a metade do terceiro show, já deve ser bem tarde, mas Caitlyn perdeu a noção das horas faz um tempo. Ela não queria pegar seu celular e descobrir que havia chamadas da mãe, como se ela fosse uma criança e não uma mulher de vinte e dois anos.

Jayce pergunta a ela se está tudo bem quando Cait se desequilibra um pouco. Ela estava no meio da coreografia que um tiktoker ensinava ao pequeno grupo disposto a dançar a música viral enquanto a dona da mesma a executava do palco.

Ela garante a ele que sim, não há porque se preocupar. Ele insiste que ela coma um chocolate, ela o faz e volta para a rodinha de dança. Caitlyn nem se lembra da última vez em que se permitiu divertir-se assim.

Os camarotes dão acesso a uma pequena área vip em frente ao palco, ela esteve lá mais cedo e não pretende voltar, mas quando a designer tenta lhe beijar no início do quarto show, Cait inventa que conhece a música e dá um jeito de ir até lá novamente, seguida pela garota que ainda não pareceu entender muito bem que Caitlyn não tem interesse em ficar com ela.

Em frente ao palco, porém, há uma mulher tatuada de cabelos platinados que chama sua atenção. Ela pula e grita no ritmo da música, realmente feliz em estar ali. Cait se aproxima aos poucos e é questão de tempo até que elas estejam dançando e gritando lado a lado.Caitlyn já não se importa de não conhecer as músicas sem sentido que a cantora grita logo à frente.A mulher tem um copo nas mãos e oferece um gole a ela num pequeno intervalo entre as músicas.

Em circunstâncias normais, Cait jamais aceitaria bebida de uma estranha, mesmo que a estranha em questão seja gostosa. Além de ser anti-higiênico, mas ela não está pensando com clareza. O mundo está girando e ela está rindo sem se importar com a dor que sentiu nossos pés graças a um detalhe do sapato.

É quando a música recomeça que ela comete o erro de olhar para a cantora verdadeiramente. A mulher, que usa botas de combate e calças coladas ao corpo, acaba de abrir dois botões da camisa social sem mangas que usa, revelando parte do sutiã esportivo por baixo. E é apenas quando Vi, era esse o nome dela, certo? Se aproxima um pouco mais que ela se dá conta de quão musculosa a cantora é.

Passa a fazer sentido que ela faça sucesso entre o público sáfico.

Ela canta a letra daquela que só pode ser a música citada por Jayce mais cedo, olhando para o público mais ao fundo do espaço, todavia, quando chega ao terceiro refrão, seu olhar recai sobre aqueles mais próximos ao palco e Cait está lá.

 

Mulher de qualquer jeito

Você sabe que eu adoro um peito

 

Vi canta e Cait faz o impensável, puxando as alças do vestido para os lados e rindo, sem preocupações.

Err, eita, é disso que eu estou falando! — Vi sorri para ela, o microfone em mãos brevemente esquecido enquanto esquece a letra. — Até me confundi aqui. — E dá mais uma risada antes de continuar cantando.

Caitlyn apenas aproveita o resto do show até decidir que talvez tenha mesmo passado um pouco dos limites e retorna até o camarote.

— Olha só, Caitlyn festeira. Gosto dessa versão. — Jayce brinca quando fica claro que ela está bem, apenas cansada.

— Acho que bebi um pouco demais.

— Você acha? — Mel, sorri. — Sua mãe nos mataria se visse seu estado.

Cailtyn recupera o celular na bolsa e fica um pouco assustada com a bagunça que é seu cabelo.

Ela vai até o banheiro e tenta se recompor um pouco. Já bastava de bebida, decidiu.Ela quer estar tão sóbria quanto possível para o show de Seraphine e não há muito tempo para isso.

A jovem senta-se em uma das cadeiras vazias e enquanto espera, observa o resto do show de uma distância segura para que a Caitlyn festeira esteja contida.

Ou tão contido quanto ela pensa está.