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Nanami Kento sempre havia desprezado Satoru Gojo. Bem, menos por aqueles 20 minutos depois de ter conhecido seu veterano, considerado um dos melhores alunos da Escola Técnica Superior de Jujutsu de Tóquio. Gojo era um feiticeiro jujutsu extremamente expressivo, contra qualquer forma de autoridade e sem noção de intimidade. Nanami era quieto, focado e esforçado no seu treinamento. Não que ele gostasse dos seus superiores, mas havia sido criado para respeitar os mais velhos e ser educado com todos.
Agora, dez anos depois de ter conhecido Gojo, o desprezo continuava o mesmo. A cada ano que passava, Satoru se mostrava mais insubordinado e mais inconsequente. Porém, era inegável reconhecer que o mais alto era o feiticeiro jujutsu mais forte que existia. Após alguns anos trabalhando num escritório no centro de Tóquio, Nanami não pudera treinar tão seriamente suas habilidades, mas agora treinava todos os dias e já havia percebido uma certa evolução. Derrotava maldições de nível especial mais facilmente e acompanhava os estudantes em missões perigosas. Durante 8 horas por dia, 5 dias por semana, ele focava inteiramente no seu trabalho, não aceitando brincadeirinhas ou distrações. Por isso o incidente daquela manhã de setembro havia o deixado tão bravo.
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Yuuji Itadori estava na sala de recreação da Escola de Tóquio, lendo uma nova entrevista da Jennifer Lawrence enquanto esperava Nobara e Megumi terminarem de se arrumar. O trio seguiria para um dia de compras no centro da cidade a pedidos recorrentes da moça. Fora Yuuji a sala estava vazia, pois os veteranos haviam saído de Tóquio para uma missão conjunta.
De repente, abrindo a porta de correr com muita força, Satoru Gojo entrou animado na sala.
"Yuuji, se prepara! Hoje nós vamos irritar o Nanami!" Sussurrou Gojo, andando na direção do aluno, que ainda não tinha conseguido processar o que estava acontecendo.
"Gojo-sensei? Por que fazer isso com o Nanamin?" Perguntou o garoto, ainda usando o apelido detestado pelo loiro. "Ele é tão bonzinho! Nem grita comigo durante as missões…" Continuou, dando um sorriso meio amarelo.
"Porque sim, oras! Ele acabou de chegar de uma viagem de Kyoto e está tomando banho no seu antigo aposento." Disse o mais alto, sentando-se ao lado de Yuuji e colocando os pés na mesinha de centro. "Ele tá muito nervoso, precisa dar uma relaxada!"
"Sensei, acho que ele não vai relaxar com pegadinhas."
"Ei, eu conheço ele desde antes de você sonhar em saber o que era se masturbar! Deixa comigo." Satoru não era muito conhecido por ser sutil. Yuuji ainda se incomodava um pouco com os comentários do seu professor, mas havia aprendido com Megumi a simplesmente ignorar e fingir que nada havia sido dito.
"Ok… qual é o plano?" Perguntou, sabendo que não adiantaria discutir com Gojo.
Satoru levantou-se com um pulo e, com uma rodadinha, exclamou: "Eu vou roubar as roupas dele!" Mesmo com 28 anos, às vezes sua mentalidade beirava a de um adolescente de 12. Ok, na maioria das vezes.
Yuuji o olhou desconfiado, mas deixou escapar um risinho. Sabia que, independentemente do que acontecesse, Nanami não teria coragem de brigar com ele. Afinal, a cada missão a proximidade dos dois aumentava e o mais velho começava a tratá-lo como um filho.
O estudante apenas bufou e deu um risinho. Gojo já se dirigia à porta da sala, pedindo-o para esperar ali.
O caminho até a ala dos quartos não era muito longo. Após passar pelo refeitório e pela sala de treinamento, Gojo já estava em frente ao seu próprio quarto, que fora usado por anos durante sua formação. Mesmo que apenas os alunos morassem no prédio, o diretor Yaga tinha mantido dois quartos para visitas dos professores de outras escolas e para eventuais emergências. Ambos possuíam banheiro privativo e uma televisão grande, o que não era encontrado no quarto dos alunos.
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Nanami estava hospedado no primeiro quarto. Sua missão não foi das melhores e, mesmo tendo um apartamento, preferiu ir direto para a Escola. Ele tomaria banho, comeria alguma coisa, faria seu relatório e conversaria pessoalmente com o diretor.
Três civis morreram enquanto ele tentava derrotar Mahito mais uma vez. A maldição estava cada dia mais poderosa e Nanami precisava conversar sobre contê-la o mais rápido possível. Sua conversa com Yaga giraria em torno de um plano de contingência que o loiro queria criar em parceria com Utahime Iori, sua ex-veterana.
Agora, enquanto tomava um banho quente e limpava manchas de sangue em sua pele - talvez ele devesse procurar Shoko antes de comer algo, afinal -, Nanami pensava em Utahime. A professora de Kyoto havia entrado em contato com ele alguns dias antes para pedir ajuda em uma missão nos arredores da cidade. Ele viria a descobrir mais tarde que tratava-se de Mahito, o que o deixaria furioso. Deveria tê-lo matado quando teve a chance.
Desde que a conheceu, quando tinha apenas 16 anos, já estava apaixonado por Utahime. Os cabelos pretos e a sua roupa típica japonesa o haviam enfeitiçado, mesmo ela sendo quatro anos mais velha e sua veterana. Porém, a moça nunca pareceu estar interessada nele, apesar de elogiá-la e ajudá-la constantemente. Anos depois, Nanami descobriu que Utahime e Gojo tinham um relacionamento secreto e que transavam desde antes do loiro conhecer a moça. Assim, seu desprezo pelo feiticeiro só cresceu ainda mais.
O cansaço da missão se misturou com as lembranças da sua época de estudante e, quando deu por si, Nanami estava se masturbando debaixo do chuveiro. Na sua mente, todas as suas conversas com Utahime passavam em looping, e ele tentava evitar todas em que Gojo estava presente. Entretanto, como um predador que não larga sua presa, o mais velho aparecia constantemente.
Em um determinado ponto, Nanami pensou em Utahime transando com Gojo. O pensamento o arrepiou por inteiro, não queria pensar nele - inclusive, desprezava a ideia. A cena, porém, foi crescendo em sua mente. Ele não parou de se tocar, mesmo quando imaginava Utahime gemer por estar sendo preenchida por Satoru. O loiro a visualizou debaixo do feiticeiro de cabelos brancos, implorando por mais, enquanto ele sorria e dizia "Você é minha, Uta".
Tomado por uma raiva e por um tesão indescritível, Nanami gozou imaginando Gojo gozando em Utahime. Assim que saiu de seus devaneios, a ideia de ter batido uma pensando no seu veterano o enojou. Nunca havia pensado em Satoru desse jeito, pelo contrário, quando imaginava Utahime nas mãos daquele troglodita, sentia ódio. Talvez a água extremamente quente o tenha deixado tonto e alucinando. Sim, era isso.
Desligou o chuveiro rapidamente e pegou a toalha que havia deixado pendurada do lado de fora. Seus cabelos loiros estavam desgrenhados, mas pelo menos estavam limpos, assim como o resto do seu corpo. Nanami sempre detestou se sentir sujo. Porém, depois dos pensamentos que teve, ele se sentia mais sujo do que nunca.
Olhando-se no espelho com nojo, o loiro penteou seus cabelos e passou desodorante. Agora vestiria sua roupa, comeria alguma coisa e tentaria fingir que não tinha pensado em coisas tão absurdas antes de encontrar com o diretor Yaga. Ao sair do banheiro, sendo seguido por uma nuvem de fumaça branca, ele abriu sua mala de mão - que sempre carregava ao sair da cidade - e pegou sua típica camisa social azul petróleo e uma cueca branca. Sua calça bege, por sorte, não havia sujado muito durante a batalha, então resolveu reutilizá-la.
Nanami se vestiu e calçou seus sapatos. Entretanto, ele percebeu que algo estava errado. Sua gravata amarela com pontos pretos, seu paletó e seus óculos haviam sumido. Achando essa situação muito estranha, ele olhou para a porta do seu quarto e viu que ela estava entreaberta. Ele sempre fazia questão de fechá-la totalmente, apesar de muitas vezes esquecer de trancá-la. Alguém havia entrado em seu quarto e roubado suas roupas. Ele conferiu o resto de seus pertences para ver se algo mais estava faltando, mas só deu falta de suas roupas típicas.
Com o rosto vermelho - um misto de raiva e de vergonha -, Nanami saiu dos aposentos e começou a procurar pela Escola. O aluno que tivesse feito isso iria enfrentar sérias consequências disciplinares. Passou pelo resto dos aposentos, pela sala de treinamento, pelo refeitório e, quando já estava se dando por vencido, escutou vozes conhecidas vindas da sala de recreação.
"Meu nome é Nanami Kento" Dizia Gojo, tentando manter um tom sério, mas segurando uma risada. Yuuji ria sem parar do seu professor.
Ao abrir a porta, Nanami se deparou com a cena que deixou seu sangue fervendo: Gojo estava vestindo suas roupas e fazia graça para Itadori. Vendo o adolescente rindo daquele jeito, o loiro se sentiu humilhado e impotente. Não era a primeira vez que Satoru lhe pregava peças, mas a última tinha sido quando Nanami tinha 18 anos. Agora, quase dez anos depois, ele se sentiu de novo como aquele adolescente tímido que um dia fora.
Tentando colocar a maior quantidade de desprezo que conseguia em sua voz, Nanami esbravejou: "Tire isso imediatamente."
Gojo olhou para trás surpreso, mas caiu na gargalhada logo em seguida. Itadori parou de rir por um instante, com medo do que Nanami poderia fazer com ele. Porém, vendo como Gojo estava reagindo, o estudante deixou suas emoções tomarem conta de si e voltou a gargalhar. A cada segundo que passava, o loiro ficava mais e mais irritado.
"Gojo, agora. Não é um pedido, é uma ordem." Nanami disse, agarrando a gola do mais alto. Ele não teria nenhum problema de tirar suas roupas à força daquele imprestável. "Além de entrar no meu quarto sem autorização, você se comportou como uma criança novamente. Não posso dizer que estou surpreso".
"Ah, que isso, Nanami? É só uma brincadeirinha". Riu Gojo, agarrando a mão do loiro, que segurava o terno e tentava retirá-lo. "Hahaha, Yuuji está aqui, seu pervertido!".
Usando mais uma vez da sua característica provocação - algo que fazia com todos, independentemente de serem amigos, superiores ou inimigos - Gojo fez Yuuji rir mais ainda e Nanami puxar com mais força o paletó. Ele sabia que o loiro tinha paciência curta e usava desse fato para irritá-lo mais ainda. Percebendo a oportunidade de sua vida, Gojo puxou a mão de Nanami, fazendo-o chegar mais perto.
"Você é bem safado, sabia?" Comentou, olhando diretamente nos olhos do loiro. A cada frase, Yuuji aproveitava mais. Nanami ficou mais vermelho ainda, agora a poucos centímetros do mais alto. "Você acha que eu não vi você se masturbando no chuveiro e gemendo meu nome?" Gojo sussurrou no ouvido do loiro, para que Yuuji não ouvisse.
Nanami parou por um instante e arregalou os olhos. Então ele havia gemido no chuveiro? Agora, tão perto de Gojo que conseguia sentir sua respiração no seu rosto, ele não conseguia reagir. Ele não sabia se Gojo estava blefando sobre os gemidos serem do seu nome, mas Nanami desejou poder se teletransportar naquele segundo.
"O que foi? Eu já sabia que você queria comer a Utahime a anos, mas nunca achei que você fosse querer que eu te comesse." Continuou Gojo, ainda sussurrando e rindo da própria frase. Yuuji já havia parado de rir e olhava para a cena dos seus superiores sem entender muito bem o que estava acontecendo. Nanami estava agarrado à roupa do seu sensei, paralisado enquanto ouvia Gojo falar alguma coisa em seu ouvido. Achando a cena no mínimo cômica, riu mais um pouco.
"Arranjem um quarto, vocês dois!" Yuuji comentou, vendo o sorriso indecente de Gojo, mas totalmente de brincadeira. Ele sabia que Nanami era hétero e, mesmo achando que Gojo pudesse ser bissexual, ele estava muito ocupado flertando com todas as mulheres de Tóquio para pensar em homens.
Satoru riu do comentário do seu aluno. Afastando-se um pouco de Nanami, olhou no fundo dos olhos do loiro e, dando uma risada provocadora, o beijou. Nanami ainda não havia reagido desde o comentário e, agora, sentia-se congelado no local. Uma das pessoas que ele mais desprezava no mundo, seu veterano e o cara que tinha uma amizade colorida de anos com a mulher que ele considerava ser o amor da sua vida o estava beijando. O pior: ele estava gostando. Seus óculos, que continuavam no rosto do mais alto, impediam que Nanami decifrasse totalmente sua expressão.
Yuuji arregalou os olhos e soltou um gritinho confuso. Ele não conseguia processar o fato de que seu professor estava beijando Nanami. Desde quando aqueles dois tinham algo? Nanamin também beijava homens? Que saco, por que Nobara e Megumi estavam demorando tanto?
O beijo durou apenas alguns segundos até que Gojo empurrasse Nanami para trás e retirasse as roupas que usava do loiro. "Toma, tá aqui. Você bem que podia mudar seu guarda-roupa, essas cores já saíram de moda há anos!" Disse, entregando o paletó, a gravata e os óculos. O loiro continuava tal qual uma estátua. Gojo piscou apenas um dos olhos para ele e saiu da sala, rindo consigo mesmo.
"Do que o Gojo-sensei está rindo a essas horas?" Perguntou Nobara, acompanhada de Megumi, enquanto entrava na sala. "Itadori… você tá bem? Tá pálido". Completou, preocupada com o amigo. Parecia que ele havia visto um fantasma.
Nem Nanami nem Yuuji haviam mexido um dedo desde a cena. Megumi os olhou com uma cara de deboche e, se jogando no sofá, exclamou: "O que o Gojo fez agora?".
Nanami saiu do transe e piscou algumas vezes, vendo que os outros calouros estavam na sala. "Ehh… Nada demais. Ele roubou meu paletó e estava se recusando a devolver". Disse, tentando disfarçar seus sentimentos. Ele andou em direção a Yuuji, lançando-o um olhar urgente e preocupado. Agora Nanami definitivamente não conseguiria conversar com o diretor Yaga.
Yuuji ainda estava parado, mas agora Nobara o sacudia. "Vocês… viram o que eu vi?" Perguntou Itadori, com a voz trêmula e confusa. Seus amigos o olharam com dúvida e o questionaram sobre o que ele tinha visto. Antes de conseguir contar, o de cabelo rosa parou e pensou nas consequências que sofreria se Nanami resolvesse castigá-lo. "Ah, hahaha. Deixa pra lá. Foi só um pássaro que passou lá fora". Riu falsamente, tentando enganar os colegas.
"Hm… ok. Enfim, vamos de uma vez? As lojas já abriram e eu não quero perder as promoções!" Exclamou Nobara, puxando o amigo pela mão até a saída da escola. Yuuji ainda estava meio catatônico, mas se deixou levar.
Megumi, levantando-se do sofá para segui-los, olhou para os dois amigos e depois para a porta pela qual havia entrado. Ele tinha visto o que Itadori tinha visto, mas ele simplesmente não se importava. Afinal, não era seu problema.
